terça-feira, 30 de novembro de 2010

Vida de Luxo, simplesmente para quem pode

Por Gustavo Soares e Onil Neto


Apesar de rotulada como patricinha, Milena não se julga como tal

O termo Mauricinho ou Patricinha nada mais é do que um status intitulado pela sociedade moderna. Pessoas jovens, com alto poder aquisitivo, que vivem dos prazeres que o dinheiro pode comprar. No meio de tanta tecnologia como I-phones, carros do ano, ostentação em festas e viagens, essa tribo torna-se destaque para os olhares mais desatentos. São pessoas que chamam atenção, pois se preocupam demais com sua aparência. Sempre bem arrumados com roupas da moda usando grifes importadas e caras.
Ao contrário do que a grande maioria acha, existe sim uma diferença entre Mauricinhos e Playboys. Estes são considerados a versão masculina das Patricinhas. Por isso seguem tendências de moda clássica e conservadora, são pessoas capitalistas, ou seja, consomem muito e gostam de se arrumar. São adeptos ao gosto musical pop eletrônica.
Alexandre Milanello, 29 anos, é um assíduo freqüentador de baladas e conta que as festas podem começar logo no meio da semana. “Gosto muito de freqüentar casas como Heaven em São Paulo. Uma balada mais elitizada aonde encontro todos meus amigos.”
Conta ainda que chega a gastar mais de 3 mil reais em uma única noite com o consumos de garrafas de wisky, vodka, champagne e áreas Vips.
Milanello é um mauricinho que gosta de ostentar, dono de um BMX 130, não abre mão, também, da sua moto Suzuki 750 , fala ainda que pretende trocá-la por um modelo mais potente, a Hayabusa. A moto considerada a mais veloz do mundo.
Suas roupas são compradas geralmente em shoppings, mas sempre que vai passar férias em Miami com a família, dá uma boa renovada no guarda-roupa. Marcas como Guess, Hugo Boss, Armani fazem parte das suas exigências pessoais.
Conclui dizendo que não são todas pessoas que pode ser mauricinho: “Elas podem tentar se vestir como tal. Mas nunca chegarão a freqüentar os mesmos locais, andar nos mesmos carros e viajar para os mesmos lugares. Isso é para a elite, para quem tem condições de aproveitar as coisas boas com muito dinheiro.”
Já Milena Fuglini de 25 anos não se julga uma patricinha, apesar das amigas afirmarem, ela simplesmente diz que vive bem pelo que tem.
Estudante do último ano de odontologia, já tem seu consultório com equipamentos de última geração praticamente montado. Presente dado pelo pai depois de visitarem uma feira do ramo esse ano.
Conta que costuma viajar com as amigas para Campos do Jordão e ficar na casa dos seus pais. Aonde tem o hábito de sair muito para barzinhos e baladas no seu New Beatle amarelo.
Mesmo o termo sendo diferente, o mauricinho pode ser também um playboy, desde que saia com muitas mulheres sem ter um relacionamento sério. Por isso, vemos em vários textos, músicas a palavra playboy se referindo a um mauricinho.
Há também aqueles que vestem a roupa da tribo, mas não possuem a personalidade enquadrada ao estilo, sendo estes falsos mauricinhos que possivelmente foram surgindo com a repentina mudança de classe social de pessoas, que não tiveram a criação cultural comum da elite.           

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A revolução dos Nerds

Por Marcela Romeiro e Taany Maeno

A série The Big Bang Theory, mostra como vive e o que faz um geek
            
             A chamada "Era da tecnologia" tem impulsionado e atraído a atenção da sociedade. As constantes descobertas da ciência despertam interesse nas pessoas, e principalmente a curiosidade na área do entretenimento. A conseqüência, por exemplo, é a otimização de computadores e games cada vez mais modernos, além de celulares, livros, filmes e músicas que provocam um sentimento consumista, e também o interesse incondicional por parte de um determinado grupo de pessoas, os denominados geeks.

            Os Geeks possuem gostos que muitos consideram “antiquados”. Gostam de ficar em casa, normalmente vidrados em joguinhos de RPG. Porém, de acordo com os direitos e deveres do geek, todo que assim se entitula deve expressar sua nerdice e ainda ter uma segunda vida no computador.

            Segundo Lucas Magalhães, 20 anos, estudante de Ciências da Computação da USP – São Carlos, o geek, - uma das variantes dos chamados nerds - é uma pessoa que gosta de tecnologia em geral, principalmente a parte computacional, não só por ter um PC bom ou um celular moderno, mas sim por buscar entender como funcionam. O estudante, diz o porquê de se denominar geek. “Acho que basicamente, por programar, entender e ansiar saber como funcionam as redes de uma empresa e os servidores”.

            De acordo com dados do IBGE, o percentual de brasileiros com computadores e acesso a internet aumentou consideravelmente nos últimos anos. De 2005 a 2008, estima-se que a guinada foi 75,3%, sendo a ferramenta presente em 27% dos lares do país. Esses dados condizem com a realidade de Magalhães, que afirma ter encontrado seu rumo profissional ainda quando seu interesse na rede era apenas um meio de se divertir. “Quando vi que me interessava por computadores, na época em que só jogava em rede – jogos on-line -, acabei fazendo um curso de computação pra ver se eu gostava da coisa e acabei me encontrando.”

            Para Alexandre Chagas, cientista da informação, a internet colaborou com a melhoria da vida social dos nerds. “A internet, como provedora de redes sociais, envolve as pessoas e as agrupam socialmente de acordo com suas características. Com o avanço tecnológico e as mudanças de comportamento dos jovens a internet promove uma união maior para os Geeks se reunirem e se inserir na sociedade de forma amigável”, afirma o cientista.

            Quanto à interação da sociedade com os avanços da tecnologia, Chagas finaliza. ”A sociedade está, sim, envolvida num padrão tecnológico, ou seja, as pessoas utilizam as ferramentas tecnológicas involuntariamente e desenvolvem capacidades de auto-aprendizado, onde não ficam mais presas em regras e padrões de aprendizagem, mas sim, como os Nerds ou Geeks aprendem de forma rápida e fácil caminhando para essa nova “Era Tecnológica”.

Tatuagem... Uma arte

Por Tatiana Saragosa e Lílian Andrade

                         
    Junior Moraes tatuando no cliente um tribal


A tatuagem é uma arte pré-histórica. Os povos primitivos marcavam os momentos de suas vidas, através da tatuagem.

No século XX, os jovens que se tatuavam eram discriminados pela sociedade, eram vistos como marginais. A partir daí começaram a surgir às tribos, uma maneira que eles encontraram para se identificarem entre eles que tinham tatuagens.

Ao passar do tempo a tatuagem veio ganhando espaço na sociedade. Quando os artistas de cinema, teatro, música, apareceram na mídia com tatuagens, a sociedade começou a observar com outros olhos, assim deixando de ser um ato de rebeldia e marginalidade.

Junior Moraes nasceu em Leme, interior de São Paulo. Desde pequeno gostava de desenhar. Até que um dia viu uma tatuagem em seu amigo e ficou encantado. Aos 10 anos fez sua primeira tatuagem, um pequeno tribal, mas sem o conhecimento da família. Quando ele chegou a casa, apanhou muito.

Aos 16 anos começou a trabalhar em um escritório administrativo, mas ele não gostava da função em que exercia. Estava sempre desenhando nas horas vagas. Então decidiu falar com sua família que iria seguir a profissão de tatuador. Foi um choque, a família entrou em desespero, acharam que o filho estava envolvido com o crime e com as drogas. Para os pais, seguir essa profissão seria uma loucura, porque ele não teria estabilidade financeira.  Junior ficou amigo de um tatuador e começou a trabalhar com ele em seu estúdio de tatuagem e com o tempo foi aprendendo técnicas e aperfeiçoando seus desenhos.

Então revolveu colocar em prática seu aprendizado, improvisou um pequeno estúdio dentro de sua casa, porém sua mãe não aprovou. Nesse período, surgiu uma oportunidade para trabalhar em um estúdio em São Paulo.

Uma tatuagem que marcou a carreira dele foi quando um deficiente físico pediu para que ele tatuasse no braço dele o símbolo internacional de acesso, como uma maneira de expressar sua dificuldade. Junior leva muito a sério sua profissão, sabe que envolve muitas responsabilidades, caráter, respeito, criatividade etc. Ele também orienta cuidados pós-tatuagem no processo de cicatrização, não ingerir ovos, carne de porco, frutos do mar.

Na opinião de Junior Moraes hoje em dia não existem muitas tribos de tatuados, pois nos dias de hoje a tatuagem é comum na sociedade.

Ao contrário das barreiras que Junior encontrou em sua trajetória de vida, João Victor Oliveira teve todo o apoio de sua família. Aos 15 anos João Victor fez sua primeira tatuagem com a permissão de seus pais.

João Victor diz que, na área profissional, às vezes a tatuagem não é bem vista aos olhos do empregador, pois ele já passou por essa experiência. Ele foi fazer uma entrevista para trabalhar em uma empresa, perguntaram se ele tinha alguma tatuagem, quando ele disse que sim, ele foi dispensado, pois a empresa não aceitava pessoas tatuadas.

Hoje aos 20 anos, João Victor tem sete tatuagens espalhadas pelo corpo. Ele gosta de participar de convenção internacional de tatuagem, onde se reúnem profissionais, admiradores e adeptos da arte da tatuagem. João Victor diz que faz tatuagem a cada momento especial de sua vida e também admira muito a arte corporal e o trabalho do tatuador.

domingo, 28 de novembro de 2010

Hip-Hop - Da periferia para o mundo

Por Carlos Rodrigues e William Torres

Pablício Munhoz é um dos grandes nomes do hip-hop de Vinhedo, atuando também como diretor em clipes de grupos da nova geração

Criado na década de 70 nas comunidades latinas, afro-americanas e jamaicanas da cidade de Nova Iorque, assim surgiu o hip-hop, nos bairros pobres que enfrentavam vários problemas de ordem social, como pobreza, violência, racismo, tráfico de drogas, carência na educação e tantas outras situações que são comuns nessas localidades.
A idéia de Afrika Bambaataa, criador do movimento e considerado até hoje o padrinho da cultura hip-hop, era fazer com que as gangues, que naquela época mantinham confrontos de maneira violenta na luta pelo domínio territorial, pudessem encontrar naquelas novas formas de arte, uma maneira de diminuir a violência em que viviam submersos.
            Atualmente, esse movimento é considerado uma cultura artística conhecida no mundo todo, e a sua essência é baseada em quatro pilares que são: o rap, o DJing, o grafite e o breakdance.
No Brasil, o hip hop começou nos anos 80, em São Paulo, nos encontros marcados na rua 24 de Maio e no metrô São Bento. A partir daí, o movimento começou a se popularizar e começaram a surgir figuras, que hoje são reconhecidas em todo o país, alguns exemplos são os rappers Thaíde e Rappin Hood e uns dos grupos mais famosos do Brasil, os Racionais MCs.
Em toda sua história, o hip-hop passou por inúmeras dificuldades, uma delas o preconceito. Tratado por muitos como algo de bandido e favelado, o movimento necessitou de tempo para se inserir na sociedade. Hoje, essa discriminação é menor, conforme relata Pablicio Munhoz, MC e DJ. Gilberto (conhecido na música como 2K), vocalista do grupo de rap Sistema Negro acrescenta: ”Hoje todos querem ser ‘manos’, saber o que está acontecendo, saber as gírias. Todos querem estar perto das pessoas que escrevem rap, pois se identificam com a realidade mostrada por meio das musicas. Já sofremos discriminação sim e ainda sofremos, mas isso mudou um pouco”.
E de fato, essa mentalidade tem se diferenciado com o decorrer do tempo. De acordo com Pablício, os trabalhos sociais realizados por alguns membros desta tribo acabam surtindo um efeito positivo sobre as pessoas, “Tenho trabalhos com crianças de Valinhos, Vinhedo e Salto, e muitos pais destas crianças já vieram me elogiar e dizer que tinham outra visão do hip-hop, uma visão negativa, que com o tempo e a boa postura que demonstramos, acabou se transformando em uma opinião favorável a nós”.
A palavra hip-hop está também intimamente ligada à dança, que é um atrativo a diversas pessoas. Gilberto diz que “o que separa a dança do hip-hop de outras formas de dança são os movimentos de improvisação que os dançarinos de hip-hop fazem em suas apresentações”. Alguns movimentos são tão incríveis que surpreendem a todos que assistem a uma apresentação.
E se a dança é algo bem visto por todos, o mesmo não se pode dizer do grafite, uma inscrição feita em paredes, na maioria das vezes com mensagens. Para Pablicio, o grafite “é uma forma de mostrar como é a realidade nas ruas”. Mas existe uma grande polêmica, pois alguns consideram o grafite sendo desempenhado como uma forma de arte, enquanto outros acreditam não passar de uma forma de vandalismo e poluição visual. As comparações com as pichações são inevitáveis, mas Pablício define a principal diferença: “Quem picha, não pensa em beleza, quer só fazer arruaça, já os grafiteiros recebem autorização para demonstrar sua arte, não é uma bagunça que qualquer um faz como muitos pensam”.
Apesar de dificuldades e avanços, o hip-hop tem tido uma evolução e crescimento constantes, “É um movimento que cresce e tem muito apelo por parte das crianças. Não queremos ser melhores do que ninguém, mas apenas divulgar nossa mensagem e trabalho, seja pela música, dança ou grafite. Viemos da periferia e é esta realidade que demonstramos, imaginando um futuro melhor para nós e toda a comunidade”, conclui Pablício.
Seja passando dificuldades ou conseguindo a cada dia mais adeptos, o hip-hop aparece hoje como uma grande opção de arte e uma oportunidade para que muitos, principalmente as crianças, possam obter frutos e permanecer longe de coisas erradas. Com um trabalho sério e competente dos membros dessa elogiável tribo urbana, os resultados tendem a aparecer e o hip-hop, uma cultura popular brasileira, se tornar cada vez mais comum em nosso país.

Happy Rock: sucesso e os perigos do preconceito

Por André Henrique e Maicon Santos

A banda Restart foi uma das grandes precursoras desta juventude colorida


Em março de 2010, o grupo Restart, com vários convidados, realizou uma série de shows no Festival Happy Rock Sundays, no palco do HSBC Brasil, em São Paulo.

Os Happy Rock romperam com a melancolia do estilo tristonho de bandas Emos, como Fresno e Nx Zero, e com o rock rebelde, predominante nos anos 80 e 90. Há cerca de um ano, bandas como, Restart e Cine, invadiram o cenário musical brasileiro com músicas mais alegres, roupas coloridas e extravagantes. É só caminharmos nos shopping centers que veremos uma série de jovens vestindo roupas coloridas e escutando músicas de bandas happy colors. 

No Shopping Dom Pedro, de Campinas, um sábado à tarde mostra a nova tendência. Jovens, com roupas coloridas, franjas sobre a testa, celulares nas mãos e fones nos ouvidos, trafegam pelos corredores do consumo. Encontramos um grupo de seis jovens do Happy Rock. A “porta-voz” do grupo, Samanta Reis, estudante do ensino médio, ao definir sua “tribo”, foi taxativa: “somos alegres e divertidos, os Emos são depressivos. Não somos Emos”. Quando questionada sobre como se relacionam com os Emos, Cosplay e demais tribos, ela e os amigos responderam que não tem preconceito e que convivem bem com outras tribos urbanas. Os seis estudantes, de um colégio privado, não se sentem alvos de preconceito dentro da escola, porém, admitem que nas ruas a realidade é diferente. Samanta afirmou que é comum as meninas happy colors – outra denominação utilizada – andarem abraçadas e em grupos, “há entre nós muito carinho e respeito; queremos transmitir alegria e amor, não entendo por que nos ofendem”. Os meninos disseram que são alvos de piadas em razão de as calças serem, rosas, laranjas etc. 

 O fenômeno do Happy Rock não tem fronteiras sociais. Jovens de todas as classes aderiram à juventude colorida, como a jovem de 14 anos, Larissa Ferreira, da escola pública Antônio Zanluchi, moradora de Hortolândia no interior de São Paulo. Ela disse que o mais comum nas escolas são grupos Happy Rock e Emos, com predominância da juventude colorida. A jovem afirmou que as tribos sociais convivem bem e que o preconceito maior vem dos que não pertencem a nenhum estilo, disse ela: “a maioria do pessoal não usa  roupas coloridas, ou porque não gostam, ou porque tem vergonha, daí eles tiram sarro da gente, chamando-nos de gays depressivos”. A jovem afirmou que a juventude colorida é mais comum no período diurno, em que as aulas são proferidas para alunos de quinta à oitava série. No noturno, que tem aulas do ensino médio com alunos, em média, de 15 a 18 anos, o fenômeno dos happy colors perde força. 

            Segundo a antropóloga Alba Zaluar, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a modernidade tem gerado diferentes tribos urbanas, sobretudo entre os jovens, até pelas características da sociedade de consumo. Segundo ela, o perigo é que os jovens se isolem nos seus grupos e passem a ver outros grupos como rivais. A antropóloga disse que se trata de um fenômeno novo, porque há uma década não surgiam tantas tribos sociais, como surge agora, portanto, segmentos da sociedade, não acostumados com as novas tendências, podem ser levados a agir com repulsa e acirrar atitudes de bullyng nas escolas, nas ruas etc. Para Zaluar, as escolas, os pais e toda a sociedade têm de agir com tolerância com os adolescentes, que estão passando por uma fase especial da vida e, muito provavelmente, vão descartar as modinhas conforme forem ficando mais velhos, ou conforme o caminhar do mercado, que cria e recria tendências num passo de luz.

Existem muitas tribos urbanas, cada uma com suas peculiaridades, o perigo é que essas diferenças alimentem atitudes de discriminação social. Todo cuidado é pouco.

O Mundo Cosplay

Por Débora Holcman e Juliana Martins


             Juliana em seu Cosplay favorito, Arale Norimaki e Angélica caracterizada de Shayera, Mulher Gavião

            Todos nós temos um desenho animado, um filme ou uma série de televisão favorita. Um personagem que achamos engraçado ou que nos identificamos. Muito de nós, um dia, já tivemos vontade de se passar por esse personagem favorito, usando suas roupas e adereços. Os cosplayers vão além dessa vontade.
            O Cosplay é uma arte que diverte crianças, adolescentes e adultos. A palavra significa “representação de personagem”, ou seja, é um hobby em que os adolescentes, que compõe a grande maioria dessa tribo, se caracterizam com as roupas, adereços e penteados de seus personagens favoritos, sejam eles de mangás, animes, ou dos mais cobiçados, os vídeos-game.
            Tudo é muito próximo do real. As roupas, cores, tecidos e maquiagens são milimetricamente feitos sob medida para quem vai dar vida a essa atividade que enche os olhos de todos, e o mercado está muito atento a essa tribo que cresce a cada ano. Existem empresas que estão voltadas a produção de lentes de contato coloridas e outros adereços específicos que os cosplayers usam para se caracterizar.
            No Brasil o público chega a mais de 40 mil fãs. Uma delas é Juliana Caetano Zanette, de 18 anos. Ela conta que seu interesse por cosplay se iniciou quando era criança. “Desde pequena eu sempre gostei de desenho animado, e lembro que quando eu era pequenininha era apaixonada pelos Cavaleiros, pela Sailor Moon e pelo Batman. Minha tia costura então ela fazia as roupas dos animes para mim. Depois de um tempo eu comecei a pesquisar mais sobre animes e eventos e descobri o cosplay”, diz.
            O cosplay surgiu nos Estados Unidos, nas Comic Cons, com pessoas que se fantasiavam dos personagens da série de filmes Star Wars, mas foi no Japão que os cosplayers ganharam força. Essa representação pode ser de qualquer personagem, de filme, jogo, desenho, anime e de histórias em quadrinhos.
            Juliana diz que seus cosplays são bem variados. “Eu já fiz cosplays do Pikachu, de Pokemon; Sasuke Sexy no Jutsu, de Naruto; Alice, de American McGee's Alice; Kafra, de Ragnarok; Witch, de Left 4 Dead; de Arale, de Dr. Slump; e de Nami, de One Piece”.
            Para a professora Angélica Cristina da Silva, de 27 anos, conseguir ser cosplay demandou um pouco mais de tempo. Sua primeira participação em um evento foi no ano de 2008. “Nunca tinha participado de evento nenhum. Trabalhava com festas, mas nada ligado ao mundo cosplay. Sempre achei uma arte muito linda. Então o dia em que eu terminei meu primeiro cosplay e vesti, nossa, foi muito bom. A sensação que tenho dentro de um cosplay é de realização”, conta.
            Em algumas competições oficiais, uma curiosidade é que as roupas dos cosplays devem ser feitas à mão, não são permitidos “cosplays comprados”. Angélica confessa que nunca gastou muito com as fantasias, pois nunca foi necessário. “Não é o quanto você gasta em um cosplay que faz a diferença. Já vi muita gente que gastou horrores em uma fantasia, mas que no final não fica boa. Enquanto outros gastam pouco e ficam ótimos”. Para ela uma boa fantasia de cosplay é aquela em que se trabalha, em que se “põe a mão na massa”, por mais que seja de forma parcial.
            Uma questão muito pertinente é a do preconceito. Muitos desconhecem o verdadeiro sentido de ser um cosplay, e acabam caindo no “pré-conceito” de que isso pode ser uma besteira ou perda de tempo. Juliana comenta que alguns não aceitam que pessoas mais morenas façam cosplays de personagens brancos. Outros não aceitam pessoas gordinhas, ou pessoas com menos poder aquisitivo. “Me chamam de esquisita o tempo todo, mas eu não ligo, acho super divertido”, complementa Juliana.
            Angélica também já sofreu esse tipo de preconceito, ela afirma que nem todo mundo tem a cabeça aberta para novas culturas, novas formas de ver o mundo. “Somos taxados de infantis, criançonas, idiotas vestidos de desenho animado, entre outras coisas. Tem pessoas que quando descobrem que sou cosplay acham super bacana, outras ficam indignadas”, ressalta.
            O Cosplay se tornou uma forma de expressão que é conhecida pelo mundo todo. No Brasil, São Paulo ainda realiza os maiores eventos do país, promovendo o encontro dos cosplayers e competições, onde aquele que ocupar o primeiro lugar pode levar um prêmio de mil reais, no mínimo. Para competir, o Cosplay tem que sem de um personagem existente, o participante não poderá ultrapassar o tempo limite de apresentação. É verificada a perfeição da roupa com a do personagem original, etc. O Cosplay poderá se apresentar em grupo, ou individualmente.
            Gianlucca D. Nespoli, de 14 anos começou recentemente a se interessar pelo Cosplay e conta que se identifica muito com Hirano kouta do High School. “Eu comecei a assistir animes, e a gostar do estilo de alguns personagens”, ele conta. Ressalta a vontade de competir, mas diz que ainda não tem a própria fantasia.
            Para os iniciantes, não basta apenas gostar de Cosplay. O universo de fantasia do Cosplay permite uma viagem na pele de um personagem o qual há identificação, e então se divertir com ele. É importante ressaltar que não importa a tribo, o respeito é fundamental.