domingo, 28 de novembro de 2010

O Mundo Cosplay

Por Débora Holcman e Juliana Martins


             Juliana em seu Cosplay favorito, Arale Norimaki e Angélica caracterizada de Shayera, Mulher Gavião

            Todos nós temos um desenho animado, um filme ou uma série de televisão favorita. Um personagem que achamos engraçado ou que nos identificamos. Muito de nós, um dia, já tivemos vontade de se passar por esse personagem favorito, usando suas roupas e adereços. Os cosplayers vão além dessa vontade.
            O Cosplay é uma arte que diverte crianças, adolescentes e adultos. A palavra significa “representação de personagem”, ou seja, é um hobby em que os adolescentes, que compõe a grande maioria dessa tribo, se caracterizam com as roupas, adereços e penteados de seus personagens favoritos, sejam eles de mangás, animes, ou dos mais cobiçados, os vídeos-game.
            Tudo é muito próximo do real. As roupas, cores, tecidos e maquiagens são milimetricamente feitos sob medida para quem vai dar vida a essa atividade que enche os olhos de todos, e o mercado está muito atento a essa tribo que cresce a cada ano. Existem empresas que estão voltadas a produção de lentes de contato coloridas e outros adereços específicos que os cosplayers usam para se caracterizar.
            No Brasil o público chega a mais de 40 mil fãs. Uma delas é Juliana Caetano Zanette, de 18 anos. Ela conta que seu interesse por cosplay se iniciou quando era criança. “Desde pequena eu sempre gostei de desenho animado, e lembro que quando eu era pequenininha era apaixonada pelos Cavaleiros, pela Sailor Moon e pelo Batman. Minha tia costura então ela fazia as roupas dos animes para mim. Depois de um tempo eu comecei a pesquisar mais sobre animes e eventos e descobri o cosplay”, diz.
            O cosplay surgiu nos Estados Unidos, nas Comic Cons, com pessoas que se fantasiavam dos personagens da série de filmes Star Wars, mas foi no Japão que os cosplayers ganharam força. Essa representação pode ser de qualquer personagem, de filme, jogo, desenho, anime e de histórias em quadrinhos.
            Juliana diz que seus cosplays são bem variados. “Eu já fiz cosplays do Pikachu, de Pokemon; Sasuke Sexy no Jutsu, de Naruto; Alice, de American McGee's Alice; Kafra, de Ragnarok; Witch, de Left 4 Dead; de Arale, de Dr. Slump; e de Nami, de One Piece”.
            Para a professora Angélica Cristina da Silva, de 27 anos, conseguir ser cosplay demandou um pouco mais de tempo. Sua primeira participação em um evento foi no ano de 2008. “Nunca tinha participado de evento nenhum. Trabalhava com festas, mas nada ligado ao mundo cosplay. Sempre achei uma arte muito linda. Então o dia em que eu terminei meu primeiro cosplay e vesti, nossa, foi muito bom. A sensação que tenho dentro de um cosplay é de realização”, conta.
            Em algumas competições oficiais, uma curiosidade é que as roupas dos cosplays devem ser feitas à mão, não são permitidos “cosplays comprados”. Angélica confessa que nunca gastou muito com as fantasias, pois nunca foi necessário. “Não é o quanto você gasta em um cosplay que faz a diferença. Já vi muita gente que gastou horrores em uma fantasia, mas que no final não fica boa. Enquanto outros gastam pouco e ficam ótimos”. Para ela uma boa fantasia de cosplay é aquela em que se trabalha, em que se “põe a mão na massa”, por mais que seja de forma parcial.
            Uma questão muito pertinente é a do preconceito. Muitos desconhecem o verdadeiro sentido de ser um cosplay, e acabam caindo no “pré-conceito” de que isso pode ser uma besteira ou perda de tempo. Juliana comenta que alguns não aceitam que pessoas mais morenas façam cosplays de personagens brancos. Outros não aceitam pessoas gordinhas, ou pessoas com menos poder aquisitivo. “Me chamam de esquisita o tempo todo, mas eu não ligo, acho super divertido”, complementa Juliana.
            Angélica também já sofreu esse tipo de preconceito, ela afirma que nem todo mundo tem a cabeça aberta para novas culturas, novas formas de ver o mundo. “Somos taxados de infantis, criançonas, idiotas vestidos de desenho animado, entre outras coisas. Tem pessoas que quando descobrem que sou cosplay acham super bacana, outras ficam indignadas”, ressalta.
            O Cosplay se tornou uma forma de expressão que é conhecida pelo mundo todo. No Brasil, São Paulo ainda realiza os maiores eventos do país, promovendo o encontro dos cosplayers e competições, onde aquele que ocupar o primeiro lugar pode levar um prêmio de mil reais, no mínimo. Para competir, o Cosplay tem que sem de um personagem existente, o participante não poderá ultrapassar o tempo limite de apresentação. É verificada a perfeição da roupa com a do personagem original, etc. O Cosplay poderá se apresentar em grupo, ou individualmente.
            Gianlucca D. Nespoli, de 14 anos começou recentemente a se interessar pelo Cosplay e conta que se identifica muito com Hirano kouta do High School. “Eu comecei a assistir animes, e a gostar do estilo de alguns personagens”, ele conta. Ressalta a vontade de competir, mas diz que ainda não tem a própria fantasia.
            Para os iniciantes, não basta apenas gostar de Cosplay. O universo de fantasia do Cosplay permite uma viagem na pele de um personagem o qual há identificação, e então se divertir com ele. É importante ressaltar que não importa a tribo, o respeito é fundamental.

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