domingo, 28 de novembro de 2010

Hip-Hop - Da periferia para o mundo

Por Carlos Rodrigues e William Torres

Pablício Munhoz é um dos grandes nomes do hip-hop de Vinhedo, atuando também como diretor em clipes de grupos da nova geração

Criado na década de 70 nas comunidades latinas, afro-americanas e jamaicanas da cidade de Nova Iorque, assim surgiu o hip-hop, nos bairros pobres que enfrentavam vários problemas de ordem social, como pobreza, violência, racismo, tráfico de drogas, carência na educação e tantas outras situações que são comuns nessas localidades.
A idéia de Afrika Bambaataa, criador do movimento e considerado até hoje o padrinho da cultura hip-hop, era fazer com que as gangues, que naquela época mantinham confrontos de maneira violenta na luta pelo domínio territorial, pudessem encontrar naquelas novas formas de arte, uma maneira de diminuir a violência em que viviam submersos.
            Atualmente, esse movimento é considerado uma cultura artística conhecida no mundo todo, e a sua essência é baseada em quatro pilares que são: o rap, o DJing, o grafite e o breakdance.
No Brasil, o hip hop começou nos anos 80, em São Paulo, nos encontros marcados na rua 24 de Maio e no metrô São Bento. A partir daí, o movimento começou a se popularizar e começaram a surgir figuras, que hoje são reconhecidas em todo o país, alguns exemplos são os rappers Thaíde e Rappin Hood e uns dos grupos mais famosos do Brasil, os Racionais MCs.
Em toda sua história, o hip-hop passou por inúmeras dificuldades, uma delas o preconceito. Tratado por muitos como algo de bandido e favelado, o movimento necessitou de tempo para se inserir na sociedade. Hoje, essa discriminação é menor, conforme relata Pablicio Munhoz, MC e DJ. Gilberto (conhecido na música como 2K), vocalista do grupo de rap Sistema Negro acrescenta: ”Hoje todos querem ser ‘manos’, saber o que está acontecendo, saber as gírias. Todos querem estar perto das pessoas que escrevem rap, pois se identificam com a realidade mostrada por meio das musicas. Já sofremos discriminação sim e ainda sofremos, mas isso mudou um pouco”.
E de fato, essa mentalidade tem se diferenciado com o decorrer do tempo. De acordo com Pablício, os trabalhos sociais realizados por alguns membros desta tribo acabam surtindo um efeito positivo sobre as pessoas, “Tenho trabalhos com crianças de Valinhos, Vinhedo e Salto, e muitos pais destas crianças já vieram me elogiar e dizer que tinham outra visão do hip-hop, uma visão negativa, que com o tempo e a boa postura que demonstramos, acabou se transformando em uma opinião favorável a nós”.
A palavra hip-hop está também intimamente ligada à dança, que é um atrativo a diversas pessoas. Gilberto diz que “o que separa a dança do hip-hop de outras formas de dança são os movimentos de improvisação que os dançarinos de hip-hop fazem em suas apresentações”. Alguns movimentos são tão incríveis que surpreendem a todos que assistem a uma apresentação.
E se a dança é algo bem visto por todos, o mesmo não se pode dizer do grafite, uma inscrição feita em paredes, na maioria das vezes com mensagens. Para Pablicio, o grafite “é uma forma de mostrar como é a realidade nas ruas”. Mas existe uma grande polêmica, pois alguns consideram o grafite sendo desempenhado como uma forma de arte, enquanto outros acreditam não passar de uma forma de vandalismo e poluição visual. As comparações com as pichações são inevitáveis, mas Pablício define a principal diferença: “Quem picha, não pensa em beleza, quer só fazer arruaça, já os grafiteiros recebem autorização para demonstrar sua arte, não é uma bagunça que qualquer um faz como muitos pensam”.
Apesar de dificuldades e avanços, o hip-hop tem tido uma evolução e crescimento constantes, “É um movimento que cresce e tem muito apelo por parte das crianças. Não queremos ser melhores do que ninguém, mas apenas divulgar nossa mensagem e trabalho, seja pela música, dança ou grafite. Viemos da periferia e é esta realidade que demonstramos, imaginando um futuro melhor para nós e toda a comunidade”, conclui Pablício.
Seja passando dificuldades ou conseguindo a cada dia mais adeptos, o hip-hop aparece hoje como uma grande opção de arte e uma oportunidade para que muitos, principalmente as crianças, possam obter frutos e permanecer longe de coisas erradas. Com um trabalho sério e competente dos membros dessa elogiável tribo urbana, os resultados tendem a aparecer e o hip-hop, uma cultura popular brasileira, se tornar cada vez mais comum em nosso país.

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