A banda Restart foi uma das grandes precursoras desta juventude colorida
Em março de 2010, o grupo Restart, com vários convidados, realizou uma série de shows no Festival Happy Rock Sundays, no palco do HSBC Brasil, em São Paulo.
Os Happy Rock romperam com a melancolia do estilo tristonho de bandas Emos, como Fresno e Nx Zero, e com o rock rebelde, predominante nos anos 80 e 90. Há cerca de um ano, bandas como, Restart e Cine, invadiram o cenário musical brasileiro com músicas mais alegres, roupas coloridas e extravagantes. É só caminharmos nos shopping centers que veremos uma série de jovens vestindo roupas coloridas e escutando músicas de bandas happy colors.
No Shopping Dom Pedro, de Campinas, um sábado à tarde mostra a nova tendência. Jovens, com roupas coloridas, franjas sobre a testa, celulares nas mãos e fones nos ouvidos, trafegam pelos corredores do consumo. Encontramos um grupo de seis jovens do Happy Rock. A “porta-voz” do grupo, Samanta Reis, estudante do ensino médio, ao definir sua “tribo”, foi taxativa: “somos alegres e divertidos, os Emos são depressivos. Não somos Emos”. Quando questionada sobre como se relacionam com os Emos, Cosplay e demais tribos, ela e os amigos responderam que não tem preconceito e que convivem bem com outras tribos urbanas. Os seis estudantes, de um colégio privado, não se sentem alvos de preconceito dentro da escola, porém, admitem que nas ruas a realidade é diferente. Samanta afirmou que é comum as meninas happy colors – outra denominação utilizada – andarem abraçadas e em grupos, “há entre nós muito carinho e respeito; queremos transmitir alegria e amor, não entendo por que nos ofendem”. Os meninos disseram que são alvos de piadas em razão de as calças serem, rosas, laranjas etc.
O fenômeno do Happy Rock não tem fronteiras sociais. Jovens de todas as classes aderiram à juventude colorida, como a jovem de 14 anos, Larissa Ferreira, da escola pública Antônio Zanluchi, moradora de Hortolândia no interior de São Paulo. Ela disse que o mais comum nas escolas são grupos Happy Rock e Emos, com predominância da juventude colorida. A jovem afirmou que as tribos sociais convivem bem e que o preconceito maior vem dos que não pertencem a nenhum estilo, disse ela: “a maioria do pessoal não usa roupas coloridas, ou porque não gostam, ou porque tem vergonha, daí eles tiram sarro da gente, chamando-nos de gays depressivos”. A jovem afirmou que a juventude colorida é mais comum no período diurno, em que as aulas são proferidas para alunos de quinta à oitava série. No noturno, que tem aulas do ensino médio com alunos, em média, de 15 a 18 anos, o fenômeno dos happy colors perde força.
Segundo a antropóloga Alba Zaluar, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a modernidade tem gerado diferentes tribos urbanas, sobretudo entre os jovens, até pelas características da sociedade de consumo. Segundo ela, o perigo é que os jovens se isolem nos seus grupos e passem a ver outros grupos como rivais. A antropóloga disse que se trata de um fenômeno novo, porque há uma década não surgiam tantas tribos sociais, como surge agora, portanto, segmentos da sociedade, não acostumados com as novas tendências, podem ser levados a agir com repulsa e acirrar atitudes de bullyng nas escolas, nas ruas etc. Para Zaluar, as escolas, os pais e toda a sociedade têm de agir com tolerância com os adolescentes, que estão passando por uma fase especial da vida e, muito provavelmente, vão descartar as modinhas conforme forem ficando mais velhos, ou conforme o caminhar do mercado, que cria e recria tendências num passo de luz.
Existem muitas tribos urbanas, cada uma com suas peculiaridades, o perigo é que essas diferenças alimentem atitudes de discriminação social. Todo cuidado é pouco.

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